A reunião decorrera normalmente, deprimente como sempre. Não
é que achasse mau, mas porque doía ver tanta gente a sofrer, isso simplesmente
não era para mim.
Mas pronto. Era hora de procurar o André! Estava tão
preocupada… Estaria apaixonada? Nãooooo! Filipa só o conheces há pouco tempo,
não pode ser, não pode ser…
- Boa tarde! Tem visto o André? – Perguntei ao instrutor.
- O André? Qual André, Filipa?
- Não sei o segundo nome, mas é alto, tem um cabelo assim um
pouco despenteado…
- Ah o André! Sim ele participa numa reunião em que sou
instrutor. Mas porquê? – sorriu.
REUNIÃO? O QUÊ? Ele dissera que não participava em nenhuma…
- Em que reunião participa ele? Porque não vejo há uns dias,
e ele não me responde às mensagens.
- Filipa, senta-te. – Disse, sentando-se também.
O meu coração acelerou. Será que ele estava bem?
- O André é uma pessoa muito doente. Ele sofre de um tumor,
e está internado num hospital pois houve um problema e os médicos não sabem bem
qual foi ainda.
Estava chocada, triste, paralisada, a tremer, a… não sei
como descrever, não sei. Eu não podia acreditar no que acabara de ouvir. O
André mentira-me é certo, mas o pior era saber que ele ocultara algo horrível.
- Sentes-te bem? – Perguntou o Francisco, o instrutor.
- Sim só… não esperava. – Disse apertando a minha mala.
Disse adeus, e caminhei até casa. Aquilo que ouvira o
instrutor contar-me não me saía da cabeça… Nunca
pensei numa coisa assim.
Mais tarde, estava deitada na minha cama e o meu telefone
tocou.
- Estou? – Disse.
- Filipa linda…
- Oh meu Deus… André! – Disse num grito.
- Wow, estás feliz por me ouvir?
- Oh… Estás bem? O instrutor contou-me.
- Aquele Francisco! Estou a melhorar. Hoje vim para casa,
agora mesmo aliás. Mas não te preocupes comigo, isto há-de passar. Mas tu estás
bem? Senti saudades.
Não foste só tu, pensei.
- Ainda bem, fico feliz por isso! Eu estou bem, ultimamente
tenho sentido diferenças na respiração mas não deve ser nada demais, de
qualquer das maneiras, terei uma consulta daqui a duas semanas. Eu também
senti, para ser sincera.
- Hm, boa sorte! Amanhã vamos fazer aquela saída que te
prometi há uns dias, combinado?
- Claro!
- Então até amanhã. – Desligou.
Feliz, feliz, feliz, feliz. Começava a sentir-me viva.
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