Aquela sala era mesmo triste, não aguentava estar ali por
mais que os meus pais achassem que era bom, aquilo deixava-me ainda mais
deprimida. Mas, tinha uma saída com o André. Eu, Filipa Silva, tinha uma saída
com um rapaz! Será que ele quereria algo mais? Só podia, um rapaz tão bonito
nunca gostaria de uma rapariga tão…uma rapariga como eu.
- Alguém quer fazer-se ouvir? – Perguntou o instrutor.
Levantei-me.
- Eu queria dizer umas coisas…. – Disse com algum
nervosismo.
Olharam para mim, e observaram-me com atenção.
- Não importa o quão triste pode parecer o momento, nem o
quão parece impossível voltarem a ser felizes, o que importa é que estão aqui,
e tudo mudará daqui para a frente, porque se há algo que isto nos ensina é que
a vida vale alguma coisa, e viver com medo, com tristeza ou ódio a nós próprios
não é viver, é sofrer. Um dia, tudo acaba, é certo, mas porque não acabar com
um desenvolvimento de vida feliz certo? Pensei nisso, não vale a pena esta
tristeza toda porque, vai passar, nós vamos ser felizes, todos nós, todas as
pessoas que sofrem com algo, porque nós somos lutadores. – Disse com
determinação, e soube-me tão bem dizê-lo. Boa Filipa.
Todos se levantaram e bateram palmas. Pela primeira vez vi
alguns olhos brilharem, vi sorrisos e aquele manto de tristeza desapareceu por
alguns segundos. Sentia-me bem, sentia-me mesmo bem.
- Muito bem Filipa! É bom ver esse espirito! – O instrutor
sorria e olhava para mim com satisfação.
Quando acabara a reunião, dirigi-me à porta do centro, onde
esperei pelo André. Uma, duas, três, quatro… As horas passavam e nada dele, não
aparecia, não mandara mensagem e nem ligara. Será que só estava a brincar
comigo? Hm, provavelmente, quem é que na sua perfeita consciência se metia numa
saída ou relação comigo? Ninguém, definitivamente. Pensa Filipa, ninguém te
quer, nem gorda nem magra.
Devido ao frio, estava com dificuldades em respirar devido
ao meu problema e por isso resolvi sair dali, não adiantava, ele não iria
aparecer. Caminhei até casa. Sentia-me cansada e com falta de ar, mas
sobretudo, sentia-me rejeitada, gozada…Nem sei mais.
- Olá Filipa, está tudo bem querida? – Perguntou-me a minha
mãe que estava sentada no sofá a ver televisão juntamente com o meu irmão mais
novo.
- Olá… Sim está, vou para o quarto sim? É que estou muito
cansada…
- Mas precisas de algo? Sentes-te bem? Queres algo? –
Levantou-se do sofá num impulso e veio até mim.
- Não mãe… - Suspirei e subi para o meu quarto.
Quando é que aquilo iria parar? Sempre com perguntas,
preocupações…etc. Tinha quase dezoito anos, já estava melhor, o que lhe
preocupava mais? Nada, acho.
Deitei-me na cama, mas levantei-me de imediato pois
lembrara-me de ir ver ao skype se o André lá estaria. André, André, André… Por
favor diz-me que estás aqui. Aquele rapaz despertara algo em mim sem dúvida. A
verdade é que nunca tinha tido nenhuma relação amorosa, nem nunca me tinha
apaixonado ou dado um beijo por mais mínimo que fosse, a alguém. Comecei a
rir-me de mim própria. Quantas raparigas com a minha idade nunca haviam feito
tal coisa? Hmm, muito poucas certamente.
Finalmente, o skype ligara-se, mas… nada. O que se passa com
o André? Será que não quer falar comigo ou assim? Nenhuma mensagem, nenhuma
chamada, nenhum nada. Que parvoíce Filipa, pensa, ele não quer nada contigo,
deixa-te de coisas.
Desci para jantar, e de minuto em minuto dava por mim a
olhar para o telemóvel, à espera de um sinal, de algo que me dissesse que ele
não se tinha esquecido de mim tal como eu não esquecera a ele, mesmo que só
tivesse passado um dia após o conhecer.
- Filipa, está tudo bem? – Perguntou o meu pai, que me
observava com um ar apreensivo.
- Hm está.
Antes de dormir, resolvi mandar-lhe uma mensagem: “Olá André…
Desculpa se te incomodo, mas fiquei à tua espera hoje e nada… Está tudo bem?
Beijo, Filipa.”.
Ansiosamente esperei meia hora por uma resposta, mas nada de
nada. Parecia mesmo que o melhor era esquecer, e não o chatear mais. Com tantos
pensamentos, acabei por adormecer. Na manhã seguinte, quando acordei,
verifiquei de imediato o meu telefone, e… nada. Depois de tanto pensar.
Determinei-me. Vou ao centro, e quando acabar a minha reunião eu vou procura-lo
e se não o encontrar, vou procurar a sua mãe!
Eu tenho de saber dele.
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