sexta-feira, 4 de julho de 2014

Capítulo #2

- Ahm… Desculpa! Sou tão distraída, não te vi… - Disse atrapalhadamente.
- Não tem mal nenhum. – Sorriu.

Observei-o enquanto ele se afastava. Era alto, moreno e tinha o cabelo um pouco desajeitado mas que lhe dava um toque bastante descontraído, os olhos não reparei devido à atrapalhação. O que será que um rapaz daqueles estaria aqui a fazer?
Continuei o meu caminho até à porta, o meu coração palpitava de nervos, o nó no meu estômago apertava, e as minhas mãos brancas e frias tremiam… Calma Filipa, calma.

- Boa tarde! Podes-te juntar ao círculo. – Disse um homem, que deveria ser o instrutor.

Sentei-me junto de uma rapariga que tinha um ar de sofrimento, como se estivesse prestes a morrer, aliás, acho que todos o tinham, incluindo eu.

- Vamos prosseguir com apresentações de membros novos…começando por… - disse enquanto apontava o dedo ao grupo, só rezava para que não me escolhesse. – Ti!

Pois, já devia estar à espera, quando eu não queria as coisas aconteciam. Levantei-me devagar e observei-os a todos acabando por fixar o meu olhar numa parede azul.

- Olá, chamo-me Filipa, tenho dezassete anos, sofri de anorexia e estou em recuperação. – Disse isto tão rápido que nem tive medo que não percebessem e me fizessem repetir.

- Olá Filipa. – Disse o grupo em coro.

Sentia uma sensação de que estava a ser observada por todos. Será que era assim tão mau? Hm, sim era. Sentei-me de novo.
Quando terminara a reunião, levantei-me rapidamente e andei apressadamente até à saída onde observei o individuo com quem tinha chocado antes da reunião, tenho de admitir que era deveras atraente, mas não me podia apaixonar, jamais alguém amaria alguém como eu, doente, triste e sem interesse.

- Olá. – Ouvi uma voz masculina.

Virei-me e vi que era dele.

- Olá… - Disse com uma voz baixa.

Ele aproximou-se e convidou-me a sentar nos degraus da entrada. Pensei duas vezes, mas algo me disse para me sentar.

- Então como te chamas?
- Filipa e tu?
- Chamo-me André! A que reunião do centro vais? – Sorriu. Como o seu sorriso era lindo.
- Vou à de distúrbios alimentares… Saí do hospital há pouco tempo e tu?

Olhou-me nesse preciso momento, parecia surpreso? Não via porquê, os meus ossos ainda eram visíveis.

- Mas estás melhor? Eu… Eu vim só dar uma coisa à minha mãe, ela trabalha aqui.
- Estou a melhorar. Ah está bem! Olha, eu tenho de ir para casa, os meus pais não querem que eu esteja muito tempo fora de casa… - Levantei-me e peguei na minha mala.
- Espero voltar a ver-te. – Disse, com um sorriso.

Enquanto ia para casa não parava de pensar no André. Seria normal? Aquele rapaz atraente e simpático tinha-me deixado feliz de certa maneira. Era uma estupidez, claro, acabara de o conhecer mas não me saía da cabeça.
Entrei em casa, e os meus pais estavam os dois na cozinha, certamente à espera da minha opinião sobre o centro.

- Filipa! Porque não me ligaste? Eu ia-te buscar. – Disse o meu pai num tom preocupado.
- Eu estou bem, calma. – Sentei-me na cadeira para descansar.

Sentaram-se também.

- Como correu filha?
- Correu bem, mas aquilo é demasiado… triste. – Sim, triste devia ser a única palavra para descrever aquilo, ou mesmo deprimente até.
Falamos durante um pouco sobre aquilo e quando acabei, dirigi-me ao quarto e fui ao skype ver se a Carolina estava on-line. Esta era a minha melhor amiga, e apoiara-me sempre em tudo. Um pedido no skype… André F… André F? André? ANDRÉ? Seria? Cliquei no perfil, para ver a fotografia, e um sorriso cresceu na minha cara… Mas como é que ele sabia o meu segundo nome? Não sei. Cliquei no aceitar e esperei que ele ficasse on-line.

*André F está agora on-line*

O meu coração saltou ao ver aquilo. Falo ou não falo? Não é melhor não, ainda pode pensar que fiquei caída por ele ou sei lá!

André F: Encontrei-te!

Ele mandou mensagem! Comecei a sorrir de imediato e respondi-lhe com a maior velocidade.

Filipa Silva: Como?!
André F: Cá tenho as minhas fontes. E nem foi difícil encontrar essa cara linda.

Senti as minhas bochechas a corar, e o meu coração a palpitar de felicidade.

Filipa Silva: Hm. Se o dizes. Olha dás-me o teu número?

O número? FILIPA! Acabas-te de conhecer este rapaz há umas horas e já lhe pedes o número? Ele vai pensar que és uma desesperada. Falava em voz alta comigo própria enquanto esperava por uma resposta.

André F: Amas-te me à primeira vista? Hahahaha. Dou sim.
Filipa Silva: Que piada! Mando-te mensagem para guardares o meu.
André F: Fico à espera! ;)  Vou sair, beijos!

Desliguei o computador e deitei-me na cama a pensar naquele momento. Será que ele tinha gostado de mim? Se calhar só quer ser simpático…
Antes de me deitar, enviei-lhe uma mensagem: “Olá André, sou eu, a Filipa. Este é o meu número. Vejo-te amanhã no centro? Boa noite, beijos.”.  Quando estava quase a fechar os olhos, ouvi o meu telefone a tocar.
 
- Estou? – Disse com uma voz sonolenta.
- Olá Filipa linda!

Filipa linda? Essa era nova.

- Olá André, não me mintas.
- Ignorando isso, queria que a menina Filipa se preparasse para uma saída depois da reunião no centro, o que acha? – Disse com uma voz de senhor que me fez rir.
- Acho que sim! Espero-te à porta quando acabar.
- Beijo.


Desliguei, e adormeci a sorrir. Seria bom ou mau?

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